O que para muitos não passa de um trecho de uma canção infantil, é a realidade de muitos brasileiros, que não têm casa e ocupam o espaço público. Os chamados moradores de rua improvisam moradias, e sustentam o teto de plástico com a esperança de uma vida melhor.

O IBGE (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística) não inclui moradores de rua no censo, pois estes não possuem moradia fixa, e obter um número exato de pessoas nessa condição se torna um trabalho mais detalhado.

Segundo dados da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), no último levantamento realizado entre janeiro e junho deste ano, dos 1.545 moradores de rua do Distrito Federal, 64% eram adultos, 24% adolescentes e 12% eram crianças.

Vida sob lonas

Famílias se abrigam às margens da Via L4, em Brasília.

Diariamente agentes da Sedest fazem rondas em pontos críticos do Distrito Federal com o objetivo de convencer os moradores de rua a irem morar em um dos cinco abrigos públicos existentes na região ou em particulares.  Mas ninguém é obrigado a sair das ruas. “Os abrigos são piores, só tem o que não presta, pelo menos aqui a gente tá em família, e somos todos trabalhadores”, se defende Nilta Paiva dos Santos, 49. Além de conversarem sobre o abrigo, os assistentes sociais sugerem outros meios de se ganhar dinheiro. “Os catadores do Riacho Fundo que se associaram a cooperativas ganharam casas do governo”, explica a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira. Por outro lado a moradora que prefere ser chamada de Lúcia diz que eles apenas destroem as coisas e não trazem proposta de ajuda.  “Só tenho a ajuda de Deus para trabalhar”, afirma.

O Núcleo de Atendimento ao Migrante foi uma alternativa criada pela Secretaria para diminuir o número de moradores de rua. Ele se localiza na rodo ferroviária de Brasília e oferece passagens gratuitas para quem quiser voltar para a terra natal. O núcleo faz atendimento às pessoas que chegam a Brasília em busca de tratamentos de saúde, trabalho e documentação. Os migrantes ainda podem contar com serviço de orientação, acolhimento e abrigo.  “Na minha cidade só tem roça. Eu não quero voltar”, diz Joselita Socorro, 45, alagoana que mora há mais de seis anos na invasão de Taguatinga com suas cinco filhas.

Estadia provisória

Edinalva vive debaixo de lonas durante a semana por não poder pagar passagem todo dia de volta para casa.

A rua também é lar de quem tem casa, mas não tem dinheiro. Eles são considerados moradores de rua, por que vivem temporariamente debaixo de lonas. “De dia a gente tem que tirar a lona, por que se não a fiscalização tira. Mas quando chove a gente tem que colocar, mas mesmo assim, molha tudo”, desabafa Edinalva Oliveira. A catadora se aloja em barracos próximos à Universidade de Brasilia, e precisa caminhar todos os dias até o lago para lavar roupa e buscar água.

A moradora de Brasilinha, município próximo de Planaltina-DF, é casada e tem dois filhos. Segundo ela, na cidade em que mora não há opção de trabalho. “Eu não trabalho em Brasilinha porque lá é muito difícil de ter emprego, fico triste quando falta comida em casa. Lá você procura uma roupa pra lavar, uma faxina pra fazer e não acha”, desabafa. Ela paga R$ 100 de aluguel. “Eu pago meu aluguel com o dinheiro da reciclagem e meu marido também ajuda”, afirma. Segundo ela, gastar R$ 8,50 de passagem todos os dias para ir e voltar para casa é praticamente impossível.

Edinalva saiu de Irecê, na Bahia, há dez anos e confessa ter vontade de voltar, mas não dá por falta de dinheiro. “Eu tenho móveis em casa, a mudança ia ser muito cara. Na minha cidade passei aperto, mas sempre trabalhei. Lá as pessoas vivem do trabalho na roça, mas meus filhos não querem voltar para lá, porque aqui têm emprego”, lembrou.  Ao ser questionada sobre as condições de vida na capital federal, a catadora confessa que “na cidade não se passa fome, é melhor passar aperto aqui do que no interior. Em Irecê você tem que plantar, colher e viver daquilo. Aqui  já tem tudo pronto. O lixo da cidade é rico”. Sua amiga Nilta interrompe e diz que “Brasília é pai e mãe”.

Edinalva estudou até a 1ª série do ensino fundamental, e seu marido que lhe ensinou a escrever o nome. “Me incomodo de ter casa e ser vista como moradora de rua, mas tenho que trabalhar honestamente”, diz a catadora comovida. Sobre o fato de passar a semana nas ruas, debaixo de lonas em invasões, ela afirma que prefere ficar nesses lugares a ir para abrigos do governo.Segundo ela, os albergues não oferecem segurança alguma. “Os agentes da Sedest são agressivos e quando chegam aqui levam tudo, não querem nem saber”, conclui Edinalva, “Ate cesta básica eles levam”, a assessoria da Sedest nega a denúncia.

Alternativa econômica

Gilson Bezerra sobrevive da venda de materiais recicláveis e mora na semana numa invasão de Taguatinga

O trabalho informal faz parte da rotina dessas pessoas e os ajuda a pagar as contas do mês. “A gente vende o material de quinze em quinze dias, às vezes até mensalmente, e dependendo do trabalho dá para ganhar uns 300 reais”, conta Gilson Bezerra, 43.

Apesar da vida difícil das ruas, alguns preferem passar a semana nessa condição porque não têm dinheiro para pagar a passagem de volta para casa. Na invasão de Taguatinga, próxima ao Carrefour, moram cinco famílias que convivem em situações precárias. “Aqui não tem água, tem dia que não tem comida, perdi o meu filho ano passado, ele tinha oito meses”, conta Lúcia.

Em uma das cinco famílias está Gilson Bezerra, pai de dez filhos, e que apesar de possuir casa própria no Jardim Ingá-Go, se vê obrigado a passar a semana na invasão. “A passagem é muito cara, é melhor passar a semana aqui”, relata o catador. Durante esse período o trabalho dele é colher materiais recicláveis, como papelão e latinhas, e nos finais de semana vende artesanato junto com a esposa em feiras locais. “Queria aposentadoria, não me deram, não tenho a quem pedir, vou trabalhar enquanto der”, afirma. A renda que obtém como catador o auxilia em seu tratamento cardíaco, e frequentemente precisa ir ao médico. A consulta é particular, pois não conseguiu vaga na rede pública, e a cada visita Gilson precisa desembolsar R$ 190. O dinheiro ás vezes não é suficiente para cobrir todos os gastos, e ele precisa da ajuda das filhas. Três filhas vivem na invasão há oito anos e são catadoras.

Políticas de solução

Núcleo de Atendimento ao Migrante. Fonte: Portal GDF

Entre os benefícios que a Sedest oferece estão o Auxílio Aluguel, que ajuda quem não tem condições de pagar (embora o benefício dure apenas três meses), passagem de volta para a cidade natal e abrigo em albergues, como a Casa de Passagem “Conviver”, no Setor de Garagens Oficiais Norte. No local as famílias passam o dia e recebem alimentação e tratamento médico. São oferecidos ao todo, 26 programas sociais para retirar as pessoas das ruas.

Sem esmolas

A Sedest  afirma que a ação é difícil por que alguns moradores de rua  não aceitam os benefícios. Segundo a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira, a maioria deles prefere permanecer onde estão, pois alegam que ganham mais do que se estivessem em abrigos. Ela diz também que a população contribui para a permanência dessas pessoas em tais locais. “A comunidade ajuda, e assim eles preferem ficar lá”, completa a assessora.  “As pessoas vêm aqui, e trazem comidas e roupas para a gente. Mas tem muita gente, e no final do ano os barracos aumentam”, confirma Joselita Socorro.

 

A prática do “esmero”

Com a intenção de praticar a inclusão social e o progresso da qualidade de vida dos moradores de rua, foi criada uma proposta em 2006: a Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua.

Ela tem por objetivo refletir a maneira de sobrevivência de tais moradores em áreas públicas, e tentar combater a desigualdade social, instituída pelo capitalismo. A exclusão traz danos morais, e facilita o desinteresse pelo trabalho, destrói laços familiares e comunitários.

 

Feita pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto por alguns ministérios, como o Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome e Ministério do Trabalho e Emprego, além da Secretaria de Direitos Humanos, e representantes do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), a Política apresenta alguns princípios e diretrizes que elaboram a mudança da ação pública às questões da população.

 

Porém, a transparência dessas garantias não chega aos moradores. “Nunca ninguém veio aqui procurar a gente para arrumar emprego”, conta Gilson Bezerra. “A assistência social vem aqui só para fiscalizar e levar tudo que conseguimos no dia com a reciclagem”, desabafa o morador da invasão de Taguatinga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de haver o consentimento por parte do governo, os moradores reclamam da falta de incentivo. Alegam que fazem parte do Brasil, e merecem dignidade. “Na hora de votar é a gente que coloca eles, mas depois a gente não recebe nada em troca, só miséria”, diz Ednalva Oliveira.

 

 

Ritmos se misturam e dão cara à cultura gamense

O Gama tem uma história longa, marcada por movimentos, resistência, alegria e muita música. A mistura dos diferentes sons é característica dessa cidade, que em cada banda mostra o seu potencial.

Não importa o lugar. Pode ser no Galpãozinho, na Praça do Cine Itapuã ou em bares noturnos da cidade.  O importante é fazer o som, reunir a galera e ouvir uma boa música, e boa música para todos os estilos, o Gama tem.

Eles são funcionários públicos, têm 38 anos de idade, e não abrem mão de tocar Blues e Rock ‘n roll. Esses são os Destiladus Blues, para eles a música é um hobbie, uma diversão, mas também é coisa séria, “Economia não é coisa séria, política não é coisa séria, música é coisa séria”. Um estilo diferente e que conquistou a cidade do Gama. Suas composições são em inglês e em português.  A banda composta por Rênio Carvalho, Marcos Serra, Vanderley da Silva, e Edimar optou por fazer shows beneficentes, aceitam doação de alimento e roupas e doam para instituições que precisam.

As bandas, assim como o Gama, têm história e a banda ARD (After of the Radioactive Destruction) tem uma longa estrada e reconhecimento nacional e internacional. A banda formada por Gilmar Batista, Maurício Libardi, Juliano Alessander, Rafael Ciampi e Vander Batista nasceu em 1984 e foi a primeira banda a fazer um disco de rock pesado no Centro oeste, em 1986, “Ataque hordas do poder”, em 1988 lançaram o “Causas para alarme” e o último foi “My Brazil: better 4 than nothing” em 1993 considerada a bíblia do underground mundial. A banda tem composições em português, inglês, espanhol e alemão.

As músicas da América central e da Jamaica também ajudam a construir a nossa identidade cultural, a banda 3eJah é influenciada por esse som “A leveza e pegada que nos pegou de jeito”, explica o vocalista Betho Alencar, 29. A banda costuma-se apresentar em festas comemorativas da cidade e também em bares noturnos. 3eJah pretende lançar o novo CD em 2010.

Alguns dizem que o Gama será o pólo do rock. E os garotos da banda GameOver acreditam nisso. Ângelo Freire, Áquila Borges, Robson Gomes, Thiago Silva e Alan Freire fazem rock na cidade do Gama, decidiram até criar um estúdio de ensaio. Onde a banda ensaia e também abre espaço para outras bandas ensaiarem. E eles confessam que a cidade tem muitos grupos de qualidade.

Paulo Henrique Moreira (Cabeça), Sávio, Rodrigo, Eré e Daniel formaram em 2004 a banda Brutu, “um som bruto e agressivo” como eles se definem. Já tocaram em festivais regionais e nacionais, ficaram em 2º lugar no 24º Festival de Música Popular do Gama e constantemente fazem shows. O vocalista da banda, conhecido como Cabeça também organiza festivais no Gama, o próximo será Duelo de bandas que está em seu quinto ano, “É difícil para uma banda independente se lançar, então é preciso abrir esse espaço”

Festival de Música Popular do Gama

No ano de 1979 um crime chocou a cidade do Gama, e para alegrar e trazer esperança aos moradores estudantes decidiram criar o Festival de Música Popular do Gama, uma oportunidade para as bandas locais mostrarem seu talento. A cidade já recebeu e já produziu muitos músicos talentosos.

Esse ano oito bandas serão a atração do evento: Paulinho Pedra Azul,Plebe Rude,GameOver, 3eJah, Brutu,Fator RH, Jairo Mendonça e Carlinhos Piauí. “Um festival de nome, a nível centro oeste, enriquece a cultura gamense”, diz Betho Alencar.

97 músicas foram inscritas para concorrer aos prêmios, e 25 foram selecionadas. A primeira colocada receberá o Troféu Candango e R$4.000 (quatro mil reais), a segunda receberá o Troféu Candango e R$2.000 (dois mil reais), a terceira colocada receberá o Troféu Candango e R$1.000 (mil reais), e a melhor música eleita pelo júri popular receberá R$1.000 (mil reais). “O festival é muito importante para as bandas da cidade”, afirma o organizador do festival Márcio Vieites.

O festival completa a 25ª edição e acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de Outubro, no Anfiteatro – Centro Esportivo do Gama, a entrada é gratuita.

São 49 anos de história, marcados por muitos e fortes movimentos culturais. A maioria esconde-se atrás de iniciativas privadas que perpetuam a cultural local.

Apagam-se as luzes, as cortinas abrem e então o espetáculo continua. O espetáculo começa antes das cortinas serem abertas, começa nos sonhos e vontades de cada um dos artistas. Artistas que sonham e nos fazem sonhar.

O Gama foi e ainda é um lugar que produz muita cultura, faltam lugares, faltam recursos, mas não faltam artistas dispostos a espalhar arte e despertar criatividade e emoções nas pessoas. Entre os anos 80 e 90 existiam 26 grupos culturais atuando no Gama, hoje existem 11 de qualidade. Muitos artistas têm o trabalho reconhecido nacionalmente e internacionalmente.

“Do Brasil para Brasília

De Brasília para o Gama

Do Gama para Brasília

De Brasília para o Brasil

Do Brasil para o mundo

Do mundo para o Gama outra vez

Brasil, Brasília, Gama”

(Márcio Vieites)

As atividades culturais na cidade surgiram há muito tempo, um dos grupos que iniciou o movimento artístico foi o GTG (Grupo de Teatro do Gama) fundado em 1977 por alunos do Colégio do Gama (hoje CEM 01). Nesse período aconteceu o CG Cenas um festival de teatro que acontecia no auditório do colégio. O Gama por muito tempo ficou conhecido pelo Festival de Teatro do Gama que acontecia no Galpãozinho, para muitos “o Galpãozinho efervescia a arte”.

Os anos se passaram levando com eles muitos artistas, mas em compensação fomos premiados com outras pessoas que compartilham da mesma vontade de perpetuar a arte e proporcionar cultura para todas as camadas. Os principais grupos que atuam são: Bagagem e Cia de Bonecos, Voar teatro de Bonecos, Cidade dos Bonecos, Titeritar, Pilombetagem, Mistura Intima, Cia Lábios da Lua, Menha, Trota Mundos, Avulso e Núcleo Otello. Além de artistas com trabalho independente.

Tem para todos os gostos e idades. Quem pensa que teatro de bonecos é coisa para criança, precisa conhecer os trabalhos feitos por esses artistas, eles fazem com que crianças de qualquer idade parem para pensar e se emocionar. As companhias trabalham com teatro de bonecos, mamulengos, marionetes, teatro, música e a arte do palhaço.

No Gama poucos lugares oferecem estrutura para receber os espetáculos. “Esses lugares que estão abandonados precisam de investimento, a cidade precisa de um lugar agradável para receber o público”, diz Robson Siqueira. Mesmo com essa dificuldade a falta de espaço não é um empecilho para os artistas da cidade. Airton Masciano, 45, trabalha desde 1983 com o grupo Bagagem e Cia e em 2004 criou o Espaço Criar e Animar, que só nesse ano já realizou 70 apresentações de diversos grupos. Outro espaço criado por iniciativa privada mas que hoje recebe apoio do governo é o Ponto de cultura Ação Cultural do Gama. Em 2005 três grupos decidiram se unir, Voar Teatro de bonecos, Titeritar e Cidade dos bonecos, lugar onde frequentemente acontecem espetáculos. O grupo também revitalizou a arena do Parque do Setor Leste.

O Espaço Criar e Animar e Ponto de Cultura Ação cultural, não só realizam espetáculos como também coordenam oficinas. Essas oficinas são importantes para “gerar novos artistas, pessoas com interesse na área artística”, diz Leda Carneiro,39. E para Onildo Júnior,39, essa “meninada vai provocar grande mudança na cultura”, Onildo é o único artista que trabalha com marionetes no Distrito Federal. As oficinas e os espetáculos são gratuitos. O contato com quem produz arte é importante para disseminar a cultura.

Projetos como Encantadores de hospitais (Mistura Íntima), Teatrando (Cidade dos bonecos), Teatro de lona (Ponto de cultura Ação cultural) levam a arte onde o povo está, nas ruas, escolas e em hospitais do Distrito Federal com intuito de “aproximar a arte do povo”. Edson Bernardo, 42, coordenador do grupo Dose de Carinho, que atua no Hospital Regional do Gama e acredita que “A arte de sorrir melhora as pessoas”, mas Edson Bernardo sabe que o trabalho voluntário em hospitais ainda precisa de mais incentivo.

A manifestação cultural não é um compromisso apenas do governo, é um “compromisso da comunidade”, afirma o poeta Walter Sarça. Com incentivo e reconhecimento mais artistas locais irão surgir.

No dia 04 de Outubro acontecerão, no Distrito Federal, as eleições para a escolha dos conselheiros do Conselho Tutelar. Das regiões administrativas, dez possuem esse conselho: Brasília, Brazlândia, Ceilândia, Gama, Paranoá, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga.

O Conselho Tutelar é um órgão ligado à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania. “É uma garantia para que os direitos da criança e do adolescente não sejam violados, é uma grande confusão que as pessoas fazem, acham que o conselho só age depois que aconteceu algum tipo de crime, ou algum tipo de violação. Na verdade não é, ele tem o trabalho principalmente preventivo”, explica Francisco Normando Feitosa de Melo,Presidente do Conselho de Direito das Crianças e dos Adolescentes (CDCA) .

O objetivo é que cada região administrativa possua um Conselho Tutelar, para isso é preciso que o governo viabilize a “estrutura necessária para a implantação”, diz Francisco Normando. Mesmo nas regiões administrativas que não possuem um Conselho Tutelar as pessoas podem se candidatar e votar, para que essa área seja representada. Por isso alguns Conselhos são responsáveis por mais de uma região.

Essa é a quinta eleição que ocorre a cada três anos. Cada Conselho Tutelar tem cinco conselheiros. Diferente das eleições anteriores esse ano as pessoas poderão votar em até cinco candidatos. A mudança ocorreu devido a pedidos de entidade que atuam em defesa da criança e do adolescente que junto com a associação dos conselheiros tutelares fizeram uma campanha para que o eleitor possa votar nos cinco candidatos que deseja ver atuando como conselheiros.

São mais de 600 candidatos, a cidade com maior número de inscritos é Ceilândia. O salário de um conselheiro é de R$2.300. Os requisitos para se candidatar são: Idoneidade moral, ter mais de 21 anos, morar há mais de um ano na região administrativa, ter concluído o Ensino Médio, estar em gozo dos direitos políticos e ter no mínimo três anos de experiência com crianças e adolescentes.

Pode votar qualquer pessoa maior de 16 anos que tenha um título eleitoral. Para escolher um bom conselheiro o Presidente do CDCA sugere, “Procurar ver se a pessoa que está se candidatando, atende os tipos de critérios colocados, se ela tem realmente experiência no trato com a criança e o adolescente, e vida pregressa, que lhe dá credibilidade.”

Eleição anterior

As eleições de 2006 foram marcadas por muitos problemas. Um deles, afirma Francisco Normando, é a dificuldade de conseguir apoio para organizar a eleição, problema que foi enfrentado esse ano também. Outra dificuldade, segundo ele, foi à falta de planejamento. O número de eleitores foi maior que o esperado. Não havia estrutura e nem preparação. Além de fraudes que ainda estão na justiça, aguardando julgamento.

O CDCA busca conseguir a participação do Tribunal Regional Eleitoral ou do Tribunal Superior Eleitoral. O Tribunal Eleitoral tem prática e mecanismos que facilitariam a contratação de mesários e evitariam as fraudes, explica o Presidente do CDCA.

São esperados aproximadamente cem mil eleitores e mil pessoas para trabalharem. “A gente espera, e estamos trabalhando muito para que nessa eleição não volte a acontecer os problemas que foram enfrentados na eleição passada”, promete Francisco Normando, Presidente do CDCA.

Conselho Tutelar do Gama

No Gama, o Conselho Tutelar existe desde 1996. É localizado no….., uma área cedida pela SEDEST. A principal reclamação é a descentralização do local. Até a parada de ônibus é distante do Conselho Tutelar. O conselheiro Acrésio Silva Freire sugere que o lugar adequado seria no Setor Central, pois é um lugar de fácil acesso.

Os cinco conselheiros dividem um espaço com cinco gabinetes, e um corredor ocupado pela área administrativa. O lugar não tem sala de arquivo, o que dificulta o trabalho. A proximidade das salas não favorece a privacidade de quem é atendido. O espaço é insuficiente, mas os equipamentos auxiliam o trabalho dos conselheiros. Cada gabinete tem um computador com internet e telefone. O último investimento que o Conselho recebeu foram quatro mesas novas.O Conselho Tutelar tem uma combi que atende as regiões do Gama, DVO, Zona Rural e Engenho das Lajes.

Muitas pessoas ainda não conhecem o trabalho do Conselho Tutelar, “Vejo falar, mas não sei o que é isso”, diz Laura Maria Jesus,67. Mas a demanda aumentou e por dia são atendidas, em média, 30 pessoas, grande parte são moradores do Goiás. Aparecida Ribeiro, 36, moradora do Gama, é uma das que costumam ir ao conselho. “É um bom trabalho, que ajuda muito”. O horário de funcionamento é das 8h às 18h, de segunda à sexta.

Neuriedson da Silva é recordista brasileiro categoria adaptada no salto em distância e tem a terceira melhor marca nos 200 m rasos. Mas não teria chegado aonde chegou se não tivesse participado das Olimpíadas escolares do Gama, Olimgama. O menino teve a oportunidade de conhecer o atletismo, e descobriu no esporte uma paixão. Foi o atleta quem acendeu a Pira da 21ª Olimgama, uma chama que pode ajudar a descobrir novos e grandes desportistas gamenses.

Aproximadamente 7 mil pessoas se reuniram para prestigiar a abertura da Olimpíadas. A festa foi aberta ao público e aconteceu no dia 17 de Setembro, no Estádio Bezerrão.Cerca de 2.500 alunos de 33 escolas públicas e 10 particulares estão participando da Olimgama. São 11 modalidades de esportes. Handebol, Futebol, Futsal, Futsal adaptado, Voleibol, Basquete, Xadrez, Atletismo, Atletismo adaptado, Gincana e Tênis de mesa adaptado.

A coordenadora da Diretoria Regional de Educação – DRE -, Cida Cury diz que as expectativas para os jogos são as melhores “A gente espera que a Olimgama seja marcada por muita paz, alegria, esporte e saúde”, o chefe de gabinete do Administrador Regional do Gama, também esteve presente na abertura “O esporte abre oportunidade para a educação, algo solidário, que entusiasma. É o melhor para os nossos jovens”, diz Argecílio Santiago.

Alunos e professores estavam animados e confiantes. Independente de ser a primeira Olimpíada ou não, a alegria foi a mesma. “Essa é a primeira vez que jogo na Olimgama, estou animado e a festa de abertura está muito legal”, diz Gabriel,14, estudante do Centro de Ensino Fundamental 03. O professor Gilson do Centro de Ensino Fundamental 08 estava empolgado “O nosso time está bem treinado, temos capacidade de vencer”. E ele não estava errado. No mesmo dia o time de futebol de campo do CEF 08 jogou contra o Centro Educacional 07. O placar foi de 1 a 0, para o time do professor Gilson.

Para contemplar a festa, estavam também atletas locais premiados, e que conseguiram alcançar seus objetivos graças ao apoio das escolas. Kleanderson Ribeiro de Melo é aluno do Centro de Ensino Médio 04 de Santa Maria, campeão brasiliense da categoria Menor (15 a 17 anos) na prova de 110m com barreiras. “O professor foi quem me motivou, eu conheci o esporte e passei a gostar, agora o meu objetivo é ser campeão brasileiro”.

As alunas do CID de Atletismo do Gama fizeram um duelo de atletismo. Disputaram 100m rasos. Letícia Aparecida Braga Silva é estudante do CEF 04 e 4ª colocada nas Olimpíadas Escolares do Brasil e Beatriz de Oliveira de Sousa, do CEM 417 de Santa Maria é 6ª colocada na prova dos 100m rasos do Campeonato Brasileiro de Menores. Para provar por que conquistaram quatro medalhas de ouro no torneio nacional em São Paulo, a equipe de Ginástica Acrobática do Centro Integrado de Educação Física, treinados pela professora Márcia Janete, fez uma grande apresentação que encantou quem estava no estádio.O grupo de dança Ced 06 dançou o clipe do Michael Jackson, Thriller. E o estádio dançou junto.

A Olimgama ainda não tem data oficial para terminar, a previsão é para final de Outubro. Os jogos ocorrem em várias escolas e são abertos ao público.

Tanto se fala em incentivo à cultura, mas falta mesmo é respeito a quem produz cultura, o artista.

No sábado,15 de Agosto, estive em um festival de música organizado na Santa Maria, Multverso. Dias antes, em uma conversa, com a produção do evento, fui informada da programação, por sinal, muito atrativa.

Mas tive uma grande surpresa quando cheguei ao local. O evento estava programado para começar às 10 da manhã e começou às 6 da tarde. Muitos integrantes de banda chegaram no horário marcado, esperaram por oito horas e simplesmente não tocaram. Das vinte bandas inscritas apenas seis se apresentaram.

Na hora de subirem ao palco, mais desorganização. Ninguém sabia ao certo a ordem das bandas. Grupos preparavam-se para tocar, e de repente outras pessoas iniciavam a apresentação. Houve até quem fosse chamado pela produção de “sabotador” por ter subido ao palco fora de ordem.

Que ordem? Na minha concepção a ordem tem que vir da produção. É preciso cumprir com o horário, e respeitar os músicos que saíram de suas cidades para tocar nesse evento. Por trás do palco, muitas bandas discutiram pra saber quem iria tocar primeiro, talvez por que faltou aos responsáveis atitude e disciplina para determinarem corretamente os horários e cumprirem com eles. São bandas que estão iniciando e delas não se espera o profissionalismo desejado, espera-se que a produção seja profissional o suficiente para respeitar cada um desses artistas.

Na abertura falaram que é preciso igualdade social para todos, não foi o que esse evento transmitiu. Talvez tenha sido o reflexo de um Brasil desorganizado, cheio de promessas e que não respeita o cidadão. É preciso que as pessoas não limitem sua visão e cobrem aquilo que está errado.

Se Marx fosse músico ele diria, “Músicos do mundo inteiro, uni vós”.

No dia 15 de Agosto aconteceu na Santa Maria o evento Multverso. Com o objetivo de levar aos moradores da Santa Maria diversão e cultura.

Segundo a Monstros produções quatorze DJs, vinte e seis bandas, quatro grupos de dança e a Mc Lóren iriam apresentar-se no local. Vinte bandas seriam avaliadas e as quatro primeiras classificadas ganhariam prêmios.

A festa estava programada para começar às 10 da manhã, mas atrasou 8 horas. E começou às 6 da tarde. A produção tentou justificar, dizendo que complicações com o som impediram o aparelho de chegar na hora marcada, e aposta em suposto boicote. A promessa era que a festa durasse até 1 da manhã.Policiais militares informaram que no alvará de funcionamento o horário permitido era até às 7 da noite .

Integrantes das bandas reclamaram da falta de organização do evento. E das vinte e seis bandas, apenas sete tocaram. Desvio temporário, My last bike, Ms Mary, H3, Remake, Kani e Game over. Um dos organizadores do evento concordou que faltou maior organização. E prometeu que todas as bandas inscritas receberiam como prêmio a gravação de quinze músicas. Ás 9 da noite, policiais militares encerraram o Multverso.

Arte no Gama

02/07/2009

No sábado, 27 de junho, o projeto tocando em frente encerrou com uma festa os cursos de elaboração de projetos e produção de eventos.

Aproximadamente 40 pessoas estavam presentes na celebração, e puderam prestigiar exposições de artistas do Gama. História em quadrinhos por Henrique Siqueira, Pintura em tela de Robson Amaral e Leda, pintura em telha de Nélia Cunha, Grafite de Wesley e bonecos dos Grupos Voart bonecos e Bagagem. As bandas Coalisão e Mistura de pele tocaram no evento.

“A arte transmite alegria, transmite paz, transmite criatividade”, afirmou o diretor do Projeto tocando em frente Tonicesa Badu, __. O projeto surgiu em 2004 com o objetivo de oferecer aos moradores do Distrito Federal e entorno um contato com a música popular brasileira. Aproximadamente 2.000 pessoas por ano são beneficiadas. Foi criado um Pólo de produção e irradiação da música popular com o objetivo de formar grupos musicais e de percussão, assim como fazer cursos profissionalizantes de Áudio, Produção, Iluminação de shows musicais e Elaboração de projetos musicais para a captação de patrocínio. Essa iniciativa conta com o patrocínio do Fundo da Arte e da Cultura, FAC.

O livro “O culto do amador” foi escrito por Andrew Keen, publicado originalmente em 2007 por Doubleday. A edição brasileira desse livro foi publicada por Jorge Zahar Editor Ltda em 2009,  possui 206 linhas.

Andrew Keen faz uma crítica à “Web 2.0” e nos alerta dos perigos que ela traz. Sem hesitar o autor cita sites populares – como Google, Yahoo, MySpace, YouTube -. E envolve o leitor ao contar fatos que são desconhecidos para a maioria das pessoas. Também reforça o que as pessoas já sabem, mas nunca pararam para pensar.

Todos sabem que as informações na internet não são totalmente confiáveis, é difícil saber quem está do outro lado. Mesmo assim o número de visitantes da Wikipedia é grande. Esse site foi criado com o propósito de ser uma enciclopédia que todos os usuários pudessem colaborar e fazer edições. Até que ponto o conhecimento de um profissional especializado pode ser substituído pelos palpites de um anônimo? É isso que o autor nos questiona.

Ter tudo de graça pode trazer caras conseqüências. Estamos expostos a conteúdos de baixa qualidade e que causam prejuízos a empresas reais. A tendência a acompanhar tudo “online” tem falido muitos jornais e deixado profissionais desempregados. Os downloads ilegais desestabilizam as produtoras e não permitem que o conteúdo de um artista seja valorizado.

O YouTube pode ser considerado uma forma para talentos sem condições mostrarem suas habilidades. O problema é que há tanta gente afim de se expor que é inviável selecionar o que, realmente, é bom. E como saber quais conteúdos foram gerados por usuários comuns e quais são propagandas de grande empresas?  A linha que distingue consumidor de produtor é muito estreita.

O autor vai além do que vemos e não queremos enxergar, e conta como estamos sendo vigiados e enganados. Os sites armazenam informações pessoais que são usadas para fazer propagandas. E pior, hackers podem ter acesso a essas informações, como exemplo, Keen cita pessoas que já tiveram sua privacidade invadida.

A internet é um mundo sem limites, crianças do século XXI estão sendo corrompidas e se deparam com conteúdos inapropriados.       O mundo virtual traz implicações para o mundo real.

Ao contrário do que parece ser Andrew Keen não tem aversão à tecnologia, ele apenas faz com que o leitor pense de maneira crítica a cerca do ideal de democratização e sugere formas de tornar a internet um lugar confiável. Para isso governo, empresas privadas e os cidadãos precisam fazer algo que estimule o conteúdo sério e apropriado.

É certo que a internet tem colaborado em muita coisa, pesquisas escolares de forma prática, notícias a todo instante. Isso sem dúvida é um avanço. Mas essa tecnologia tem “efeitos colaterais” que precisam ser avisados. Um livro como “O culto do amador” deveria ser lido por todos os internautas, para que tenham consciência de como as coisas funcionam. Quem sabe assim desperte o sentimento de valorização à cultura e à valores que se perde a cada novo clique.

Cooperativa 100 dimensão

Cooperativa 100 dimensão

Quando as oportunidades parecem desaparecer, algunsdesistem, outros inventam uma saída e lutam por um espaço

Desempregada e sem nenhum auxílio governamental, Sônia Maria da Silva, 43, moradora do Riacho Fundo II, decidiu fazer uma reunião na comunidade em busca de uma solução para o desemprego. Surgiu a idéia de trabalharem com lixo seco.

Procuraram o Serviço de apoio às Micro e Pequenas Empresas, SEBRAE, e foram orientados, fizeram cursos de especialização e fundaram a cooperativa de coleta seletiva 100 Dimensão. No início as pessoas não acreditavam que trabalhar com lixo poderia dar futuro. Doze anos depois a 100 Dimensão é referência no Distrito Federal. “Não sonhávamos, não tínhamos compromisso com o amanhã, achávamos que tudo tinha de ser obrigação do governo. Sabíamos que dificilmente nossos filhos chegariam a uma faculdade pública e aceitávamos tudo passivamente. Foi quando despertamos”, relembra Sônia.

Dificuldades

A cooperativa não conseguiu escapar da crise econômica. O preço dos materiais vendidos caiu muito. O quilo da sucata que era vendido por R$ 0,25 hoje vale R$ 0,03; as garrafas pets que saiam por R$ 0,90 hoje não passam de R$ 0,60; copos plásticos saem por R$0,20; o papel branco é vendido por R$ 0,25 enquanto o colorido é R$ 0,05;  o quilo do papelão custa em média R$ 0,08 e o plástico vale R$ 0,70. “Com essa crise a gente trabalha muito e ganha pouco, mas é melhor do que ficar desempregada” reclama uma das fundadoras Domingas, 49 anos.

Com a queda nos preços, o salário também baixou. Maria de Lourdes, 64, uma das cooperadas, diz que nunca recebeu mais do que R$ 380,00. Por esse motivo muitos desistiram de trabalhar na cooperativa que, antes tinha aproximadamente 260 cooperados e hoje tem em média 150.

Na sede da cooperativa havia um grupo que transformava o lixo em obra de arte. Mas os recursos necessários para manter esse projeto eram poucos e então o grupo de artesanato se desfez.

A esperança para a crise está nos aparelhos, que foram comprados por parceiros. Apenas a máquina de prensar está funcionando. Os equipamentos que servem para lavar, separar e triturar o lixo seco ainda não foram instalados. Os materiais aproveitáveis que passam por essas máquinas têm um valor mais alto.

Os cooperados não desistem e continuam trabalhando, mas cobram do governo uma atitude. “O governo não ajuda a gente, a gente trabalha pelo dinheiro, mas também colaboram com o meio ambiente.Ajudamos todo mundo, construímos a cooperativa para quem precisa” afirma Domingas.