A internet como vilã
29/06/2009
O livro “O culto do amador” foi escrito por Andrew Keen, publicado originalmente em 2007 por Doubleday. A edição brasileira desse livro foi publicada por Jorge Zahar Editor Ltda em 2009, possui 206 linhas.
Andrew Keen faz uma crítica à “Web 2.0” e nos alerta dos perigos que ela traz. Sem hesitar o autor cita sites populares – como Google, Yahoo, MySpace, YouTube -. E envolve o leitor ao contar fatos que são desconhecidos para a maioria das pessoas. Também reforça o que as pessoas já sabem, mas nunca pararam para pensar.
Todos sabem que as informações na internet não são totalmente confiáveis, é difícil saber quem está do outro lado. Mesmo assim o número de visitantes da Wikipedia é grande. Esse site foi criado com o propósito de ser uma enciclopédia que todos os usuários pudessem colaborar e fazer edições. Até que ponto o conhecimento de um profissional especializado pode ser substituído pelos palpites de um anônimo? É isso que o autor nos questiona.
Ter tudo de graça pode trazer caras conseqüências. Estamos expostos a conteúdos de baixa qualidade e que causam prejuízos a empresas reais. A tendência a acompanhar tudo “online” tem falido muitos jornais e deixado profissionais desempregados. Os downloads ilegais desestabilizam as produtoras e não permitem que o conteúdo de um artista seja valorizado.
O YouTube pode ser considerado uma forma para talentos sem condições mostrarem suas habilidades. O problema é que há tanta gente afim de se expor que é inviável selecionar o que, realmente, é bom. E como saber quais conteúdos foram gerados por usuários comuns e quais são propagandas de grande empresas? A linha que distingue consumidor de produtor é muito estreita.
O autor vai além do que vemos e não queremos enxergar, e conta como estamos sendo vigiados e enganados. Os sites armazenam informações pessoais que são usadas para fazer propagandas. E pior, hackers podem ter acesso a essas informações, como exemplo, Keen cita pessoas que já tiveram sua privacidade invadida.
A internet é um mundo sem limites, crianças do século XXI estão sendo corrompidas e se deparam com conteúdos inapropriados. O mundo virtual traz implicações para o mundo real.
Ao contrário do que parece ser Andrew Keen não tem aversão à tecnologia, ele apenas faz com que o leitor pense de maneira crítica a cerca do ideal de democratização e sugere formas de tornar a internet um lugar confiável. Para isso governo, empresas privadas e os cidadãos precisam fazer algo que estimule o conteúdo sério e apropriado.
É certo que a internet tem colaborado em muita coisa, pesquisas escolares de forma prática, notícias a todo instante. Isso sem dúvida é um avanço. Mas essa tecnologia tem “efeitos colaterais” que precisam ser avisados. Um livro como “O culto do amador” deveria ser lido por todos os internautas, para que tenham consciência de como as coisas funcionam. Quem sabe assim desperte o sentimento de valorização à cultura e à valores que se perde a cada novo clique.