Sobrevive na selva das cidades o mais esperto, mas todos são convidados a lutar e participar de um jogo brutal e desonesto. Quem se recusa a jogar, se torna peça do tabuleiro.
A peça “Na selva das cid
ades” retrata as relações de disputas em um centro urbano. Dirigida por Aderbal Freire Filho, a obra é um texto do alemão Bertolt Brecht. Chicago, 1912, a família Garga sai do interior para buscar uma vida melhor na cidade grande, mas nada é como imaginavam. Na metrópole, eles vivem em um local ruim e passam por necessidades. Uma trama comum, mas que ganha intensidade com a chegada de Shlink e o convite à George Garga para entrar no jogo da selva. Disputas de força e de superioridade embalam o contato do comerciante rico e soberbo com o jovem vendedor de livros. As demonstrações de poder escondem a fraqueza dos personagens principais.
Ser humilhado por Shlink desperta em George o desejo de vingança. Ele consegue encontrar o comerciante e adquirir toda a riqueza dela. Mesmo depois de humilhar o homem, o jovem continua insatisfeito e acorrentado ao ódio que criou. No jogo de Shlink e George outras pessoas se envolvem, mas elas não têm poder, são apenas manuseadas.
O mundo moderno cria a vontade de vencer a qualquer custo. Pelo menos a impressão de ser vencedor. As disputas, a concorrência, a sensação de superioridade querem maquiar o medo e a inferioridade das pessoas. A obra foi escrita entre 1921 e 1923 e não tem prazo de validade. Assisti-la é sem dúvida fazer comparações e aplicar cada cena ao mundo real.
A interpretação cativante do elenco somada ao humor que dá leveza à peça, fazem as três horas de duração do espetáculo passarem despercebidas. Este não é um texto em que você irá encontrar frases de impacto. É uma obra de impacto.