Agitadores culturais do Distrito Federal

A edição de julho da revista Bravo! trouxe a Festa Literária de Paraty (Flip) como matéria de capa. A Flip deste ano homenageou Oswald de Andrade, um homem importante para a cultura do Brasil, que participou e liderou movimentos culturais, como a Semana de Arte Moderna. Oswald foi sem dúvida um agitador cultural, preocupado em promover movimento e mudança.

Na reportagem sobre a Flip há uma matéria sobre os agitadores culturais do século 21. Os jornalistas Barbara Heckler e João Gabriel de Lima questionam onde estarão escondidos os Oswalds de Andrade. Outra pergunta feita pelos jornalistas é se existe agitador cultural na época da internet. O psicanalista Paulo Schiller, tradutor e mediador de uma mesa na Flip, responde a pergunta. “Acho que até que há gente com essa competência por aqui, mas estão todos mergulhados em seus próprios trabalhos, buscando sobreviver”. Schiller tem razão.

Vivemos um período de intensa produção cultural, há muitas formas e ferramentas que permitem o nascimento de “artistas”. Cito artistas entre aspas porque não é pelo fato de ter meios para se produzir que qualquer pessoa será um artista. Nem todos produzem conteúdo de qualidade.

Mesmo quem é artista, sem aspas, precisa se virar nos trinta para sobreviver. O ofício de ser arista, por vezes, é encarado como diversão, e não um trabalho como qualquer outro, que exige técnica, estudos, dedicação e esforço.  Parece que tudo isso é desconsiderado, e muitos acabam deixando a arte para segundo plano, é a lei da selva, é preciso sobreviver.

Nesse meio, muitos acreditam na lei do mais forte. Esquecem que a união fortalece e gera energia. Nadando contra a corrente do individualismo, cito um trabalho do Distrito Federal, a Coletânea Brasília de Todos os Cantos.  Uma iniciativa nascida em Planaltina, idealizada pelos integrantes da banda Jazahu. O projeto une em um CD seis bandas de quatro cantos do DF (Brasília, Gama, Planaltina, Sobradinho).

As bandas são diferentes, musicalmente, e isso me chamou atenção. Normalmente, as pessoas se unem aos pares – quando se unem-, e essa coletânea agrega os diferentes. As bandas que participam do projeto são: Jazahu, Casacast, Ciclone na Muringa, Vassoura Elétrica, Beladita Maldona e Alínea 11. O estilo é variado Rock, Rap, Blues, MPB, Reggae, o único objetivo de valorizar o diferente  e de mostrar que a arte é a arte, a união ainda faz a diferença.

Além de montarem o CD, o Brasília de Todos os Cantos quer percorrer o Distrito Federal, e levar às cidades essas bandas. O projeto iniciou em março e até hoje realizou dois eventos, um em Planaltina e outro no Gama.  Essa atitude quebra outro padrão. Os artistas vão à periferia, as pessoas estão acostumadas com os shows centralizados, e eles vieram para mostrar que a arte vai onde o povo está.

Para mim, os integrantes das seis bandas são exemplos de agitadores culturais. Mostram que a produção cultural do DF é intensa e se completa. E quando se completa se expande.  Não desmereço os tantos coletivos do DF, mas parabenizo em especial o Brasília de Todos os Cantos por unir o diferente.

Só a antropofagia salva.

Para quem tem interesse em conhecer o produto desse baião de seis : www.myspace.com/brasiliadetodososcantos

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