Prazer em duas rodas

Uso da bicicleta gera melhorias na saúde e é aliado da mobilidade urbana

Pedala Gama (15)

Magrela, camelo, bike… não importa o apelido, importante mesmo são os benefícios proporcionados pelo ciclismo, um esporte completo e que ainda oferece aos praticantes os prazeres de desbravar a cidade por outro ângulo e distante dos motores do dia a dia. Os custos para a prática desse esporte variam, mas com uma bicicleta e equipamentos de segurança, qualquer um pode ir longe e conquistar qualidade de vida. Pedalar melhora o condicionamento físico, a circulação sanguínea, fortalece os músculos, auxilia no emagrecimento, reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, trabalha o sistema respiratório e cardiovascular. Além de reduzir o colesterol ruim, o chamado LDL e promover melhoras na oxigenação do cérebro.

Na prática, a soma desses fatores gerados pela prática regular do ciclismo resulta em mais disposição para as tarefas do dia a dia, explica o professor de educação física Renato André Silva. Ele também destaca que o ciclismo é uma atividade de baixo impacto, por esse motivo os riscos de lesão são menores. “Você consegue se condicionar poupando suas articulações. Por que muitas vezes isso faz com que as pessoa se retirem da prática dos exercícios: elas mal começam uma atividade e já se machucam”

O ciclista Francisco Pereira pedala todos os dias

O ciclista Francisco Pereira pedala todos os dias

Por ser uma atividade aeróbica e trabalhar o sistema cardiovascular, o ciclismo fortalece o coração, explica o angiologista e cirurgião vascular Edson Amaro Neves. “Em muitos casos a prática do esporte até auxilia na terapêutica de recuperação de um cardiopata e age também na prevenção”. Outra vantagem para quem pedala é conquistar pernas bonitas e livres de varizes. “É uma atividade que vai estimular muito inclusive a estética da perna, a musculatura da perna vai ser favorecida. É um esporte salutar e ajuda também na prevenção das varizes”, diz Neves.

Os especialistas asseguram que o ciclismo é benéfico para todas as idades. Com a avaliação e acompanhamento de um profissional e sempre com os equipamentos de segurança, crianças, adultos e idosos estão aptos a pedalar. Francisco de Assis Pereira, 26, pedala desde os 9 anos de idade e utiliza a bicicleta para lazer e também como meio de transporte. “Todos os dias à tarde a passeio sozinho ou com a minha cadela, inclusive é o meu principal meio de transporte e em alguns finais de semana gosto de pegar umas trilhas pelo cerrado”.

Pedalar sozinho ou em grupo

O ciclismo pode ser praticado individualmente, mas quem prefere praticar de forma coletiva, pode convidar os amigos ou entrar em grupos de ciclistas já existentes. O grupo Pedala Gama, criado em 2010, tem como objetivo incentivar a prática do esporte e oferecer segurança e companhia aos ciclistas que desejarem explica um dos coordenadores do Pedala Gama, Cláudio Pinheiro Ferreira, 42. O grupo já conta com 578 participantes. No início, eram menos de cem pessoas.  “Estamos fazendo um bom trabalho de acolhimento. Os ciclistas que desconhecem totalmente o equipamento recebem orientações e sempre tem o carinho dos coordenadores”.

Há horários e percursos classificados por níveis de dificuldade. Os iniciantes percorrem trajetos mais curtos, de 17 km, e à medida que o nível avança, o participante pode optar por ampliar os quilômetros percorridos. Os trajetos classificados como difíceis ultrapassam 100 km e as clicloviagens, realizadas esporadicamente, chegam a quase 600 km, ida e volta. Para incentivar os ciclistas foi criado um ranking e cada pedal é contabilizado, quando o participante atinge determinada meta é premiado com medalhas.  O pedal para iniciante acontece sempre aos domingos, às 8 horas da manhã, concentração na pista de cooper.

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Grupo Pedala Gama

Para participar do grupo basta ter uma bicicleta e ter todos os equipamentos como luvas, óculos, sinalizadores, câmaras e remendos reservas, garrafinhas de água. O uso do capacete já é obrigatório pelo Código de Trânsito Brasileiro e não deve ser esquecido, recomenda o professor Renato André Silva. “Cair com a mão no asfalta você rala, agora bater a cabeça muitas vezes pode ser irreversível, então o capacete é básico”. Beber água com frequência e comer de forma adequada também contribuem para o sucesso da pedalada, sempre com respeito aos limites do corpo.

Escolher a roupa adequada e os calçados corretos para essa atividade é outro ponto que deve ser considerado, ressalta o educador físico e professor de ciclismo in door Sérgio Nunes. “Quando falamos em pedalar, imaginamos os movimentos que fazemos com nossos membros inferiores e consequentemente nos pés. É o que faz o contato direto com os pedais e por deve estar bem equipado”. Ele recomenda o uso de sapatilhas para ciclismo que possui um sistema de ventilação especial e adere ao pedal e permite pedalas firmes e fortes, sem o risco do pé escorregar. Uma alternativa para as sapatilhas são tênis. “Aconselho um tênis com solado rígido, porém confortável e que guarde os cadarços dentro tênis para evitar acidentes.”

In door x ao ar livre

O ciclismo in door existe no Brasil há cerca de 18 anos. Praticado em academias ou em eventos, essa atividade simula as pedaladas ao ar livre e gera os mesmos benefícios. “É praticada numa bicicleta estacionaria de peão (catraca) fixo, onde o praticante através do simples ajuste manual pode simular diversos tipos de terrenos e tencionar a carga simulando a marcha da bicicleta.”, explica o professor de ciclismo in door, Sérgio Nunes. 

A prática é recomendada para pessoas de qualquer idade. Nunes afirma que aquelas pessoas com pouco tempo, que têm o objetivo de perder peso, e melhorar o condicionamento físico são as que mais procuram pelo ciclismo in door. Atletas em fase de recuperação ou reabilitação cardiovascular ou orto muscular também costumam de optar pelas pedalas em ambiente fechado. “O que difere essa modalidade do ciclismo praticado na rua, principalmente é o prazer em sentir o vento na cara, as paisagens, as surpresas pelo caminho”, compara o professor.

Ciclovias: alternativa de mobilidade urbana sofre críticas

Até o final de 2014 o Distrito Federal deve ter 600 km de ciclovias. Essa é a meta do Governo do Distrito Federal prevista no Plano de Mobilidade por Bicicleta do DF. O documento propõe três eixos: Infraestrutura, Mudança de Comportamento e Serviços.

Uma das principais ações do primeiro eixo é a construção das rotas cicloviárias e de estacionamentos exclusivos para bicicletas. O segundo trata de ações de incentivo ao uso do transporte alternativo, como campanhas publicitárias e também doação de bicicletas para estudantes. No eixo de Serviços estão incluídas ações que ofereçam versatilidade ao cidadão, ciclofaixa do lazer aos domingos e a bicicleta de aluguel são algumas das propostas.

Para o coordenador do Fórum de Mobilidade por Bicicleta, Paulo Alexandre Passos, os investimentos são importantes para uma mudança de cultura da sociedade e contribuem para os problemas de mobilidade urbana. “É dar uma outra alternativa de transporte para aqueles trajetos de curta distância. Ao invés da pessoa fazer um trajeto de 5 km para trabalhar de carro, ela tem uma outra oportunidade agora de fazer de forma segura nas ciclovias, por bicicleta, então é isso como uma alternativa da mobilidade na cidade”, afirma.

No Gama serão construídos 25 km da faixa exclusiva. A obra foi divida em duas etapas, a primeira teve início em maio e conta com 13,5 km e a segunda 11,5 km.  Para o aposentado João de Souza, 74, as ciclovias são importantes, pois oferecem mais segurança ao ciclista. Entretanto, ainda sim é preciso enfrentar obstáculos, no caso os pedestres que utilizam o espaço para fazer caminhada. “A gente precisa desviar, ficar esperando. Essa pista aqui não é só para ciclista”, reclama.

Outro problema apontado por Francisco de Assis Pereira são falhas no trajeto construído que, segundo ele, oferecem perigo ao ciclista. “Alguns desvios em minha opinião são desnecessários, como a do semáforo entre o Corpo de Bombeiros e do Estádio. O trajeto poderia continuar em linha reta, fazendo o ciclista obedecer ao sinal junto com os carros”. Ele também sugere a construção de ciclovia próxima a Rodoviária e ao Hospital.

O arquiteto e urbanista Ariomar Nogueira alerta para riscos de acidente devido a irregularidades na pista exclusiva. “A ciclovia, que não é ciclovia, é uma obra urbanisticamente irresponsável. Ela é o ‘possíveis prováveis curvas da morte’”. Um dos problemas apontados por ele é falta de avisos nos pontos em que a ciclovia é interrompida para passagem de veículos.

As curvas também podem comprometer a segurança de quem passa de bicicleta pelo local, alerta Nogueira. “Em alguns pontos, a ciclovia ficou a pista de rolamento e por isso no momento que a pessoa frear, ela pode, perder o controle e cair na pista de rolamento,  podendo ser atropelada”, analisa. Ele recomenda a implantação de grades de segurança em todo o percurso e saídas devidamente sinalizadas. Enquanto as alterações para proteção não são feitas, o urbanista recomenda a retirada das ciclovias.

Em nota, a assessoria de comunicação da Administração Regional do Gama informa que “A maior parte do percurso atende as demandas de proteção e mobilidade ao ciclista e oferece muito mais segurança que a vulnerabilidade das vias que transitam os automóveis”.

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