Repensar a cidade – Centro Cultural Itapuã

Avança na Administração Regional do Gama o processo para revitalização do Centro Cultural Itapuã.  A previsão é que as obras comecem no início de 2014

Foto: Walter Sarça

 Há nove anos desativado e em estado de deterioração, o Centro Cultural Itapuã pode enfim reabrir as portas para o público. Tramita na Administração Regional do Gama o processo para revitalização do espaço.  Até o momento a Comissão de Estudo e Projeto para a Restauração do Cine Itapuã,criada para estudar a reforma do local, já realizou levantamento da estrutura física e uma audiência pública, no dia 23 de março,sobre o Centro Cultural. O próximo passo é a construção do projeto de arquitetura, que deve ser liberado para consulta à comunidade até junho deste ano.

O projeto será elaborado por arquitetos da Administração e da Secretaria de Cultura e levará em conta as sugestões feitas pela comunidade no dia da audiência. As propostas foram variadas, mas convergem em um ponto: todos querem vero espaço cultural ativo novamente.

As pessoas que participaram da audiência propuseram a transformação da área – que inclui a praça, o parquinho e os Correios, em um complexo cultural que abrigue várias linguagens artísticas. Os lojistas também pediram a inclusão das lojas na reforma. Apesar de a Administração ter sinalizado que há a possibilidade de ampliar os andares do edifício que abriga o Centro Cultural, e comunidade pediu a preservação da arquitetura original, também solicitou que o espaço fosse utilizado apenas para produção e atividades artísticas. Além disso, houve proposta para abertura de concurso de arquitetura para a escolha do projeto do Complexo Cultural – sugestão essa já descartada pela administração, sob a alegação de não haverrecursos financeiros. Com relação a como será gerido o espaço, uma das propostas consiste na gestão compartilhada entre compartilhada entre poder público e sociedade civil. A comunidade pediu ainda a criação de uma comissão para obtenção de recursos financeiros.

O arquiteto Ariomar da Luz Nogueira, 66, criou um projeto arquitetônico para o Centro Cultural Itapuã e levou à audiência. Ele propõe a reestruturação da parte interna e da parte externa com um teatro de arena e uma torre piramidal com homenagem a todos os artistas do Gama. “Uma cidade para existir como cidade ela tem que ter um espaço cultural e o espaço que temos é justamente o Itapuã que está naquele estado”, afirma.

De acordo com o administrador do Gama, Márcio Palhares, todas as propostas serão consideradas, mas o projeto final será feito pelo governo. “Em um segundo momento, iremos apresentar o projeto de arquitetura para a comunidade, levando em consideração outras audiências, as discussões técnicas, os recursos que estão previstos. Assim, faremos o modelo de centro cultural. A gente vai apresentar uma coisa direcionada, levando em conta o que já foi discutido até então”, explica. A forma de gestão e os critérios para utilizar o local também serão discutidos pela Comissão de Estudo e Projeto para a Restauração do Cine Itapuã. “A gente quer que a gestão fique na cidade, de preferência com a comunidade cuidando, mas isso não está claro.”

O “pacote pronto” será apresentado para a comunidade, que poderá sugerir modificações. Quando for aprovado, o próximo passo da Comissão será o orçamento. Segundo Palhares, dois deputados já sinalizaram a liberação de recursos para a obra. Após essa fase, será aberto o processo para licitação, que dura entre 2 e 3 meses. “Esse é o grande momento da cultura do Gama. Coma revitalização do Centro Cultural Itapuã será possível dar oportunidade à classe artística, atores, cantores, poetas. A comunidade terá um espaço de cultura, e não precisará se deslocar para assistir peças teatrais e shows”, acredita Palhares.

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 A expectativa agora é que o Centro Cultural Itapuã volte a ser de grande efervescência cultural, como sugere o conselheiro de cultura Flávio Pinheiro, 44. “O resgate desse espaço vai trazer em primeiro lugar um fomento à economia criativa aqui no Gama. Vai também melhorar a vida dos nossos produtores, sejam da área do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas e do artesanato também”. A atriz e produtora Leda Carneiro, 43, gestora do Espaço Cultural Bagagem também celebra a iniciativa de revitalização do Itapuã. “É imprescindível que aconteça. A gente não pode perder umespaço daquele tamanho, que já tem uma história, então tem que ser feito mesmo, já está até atrasado, essa reforma já tinha que ter acontecido antes”.

 Ludimila Ferreira, 21, e André Lucas Veríssimo, 21, estudantes do curso de engenharia da Universidade de Brasília, moram no Gama desde 2012 e não sabiam que o espaço deteriorado na praça do setor central já foi um dos locais mais importantes do Gama. “Eu achava que aqui só tinha o comércio mesmo, nem sabia que isso era um espaço cultural”, afirma Ludimila.

Histórico

Centro Cultural Itapuã - Arquivo Administração  (2)

O Centro Cultural Itapuã é o antigo Cine Itapuã, inaugurado em 28 de março de 1961. O espaço, gerenciado pela Empresa Cinematográfica Paulo Sá Pinto, foi o primeiro prédio construído na cidade e o segundo cinema do Distrito Federal. O local já recebeu lançamentos de filmes, festivais internacionais e apresentação de artistas como Oswaldo Montenegro, Emílio Santiago e Beto Guedes.

Em 1986, o espaço do cinema foi vendido para os lojistas da região, eles compraram e doaram a área para a Administração do Gama. Porém, o processo de transferência legal não estava completo e só foi regularizado em 2012. Dois anos após a venda, o espaço foi reformado e passou a ser administrado pelo Cine Clube Porta Aberta.

Ato Itapuã pela Arte                        

A comunidade pretende dar desdobramento à audiência pública e organiza um ato em prol do espaço. O Ato Itapuã pela Arte será realizado no dia 5 de maio na praça do Centro Cultural Itapuã.Durante todo o dia, acontecerão diversas apresentações de música, teatro e poesia. No local também estarão expostos trabalhos desenvolvidos por artistas da cidade. Mais informações pelo e-mail atoitapuapelaarte@gmail.com

*Matéria publicada inicialmente na edição nº37 do jornal Folha Independente do Gama

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Secretário de Cultura visita o Gama

O secretário de cultura, Hamilton Pereira, visitou na sexta, dia 25, os principais espaços culturais do Gama para avaliar a situação e tomar as medidas necessárias para a utilização adequada dos locais.
Hamilton Pereira se reuniu com o Administrador da cidade, Adauto Rodrigues, e foi até O Centro Cultural itapuã, Anfiteatro do Estádio Bezerrão e Teatro Galpãozinho.  A visita durou cerca de duas horas, e discutiram assuntos como revitalização e políticas culturais.
A primeira medida da Secretaria de Cultura será reconstruir o antigo Cine Itapuã, o 2º cinema de Brasília, construído em 1963 e interditado há 6 anos. “Nos vamos iniciar uma parceria entre a Secretaria de Cultura e a Administração Regional do Gama, a partir da alma da cidade, o Cine tapuã”, disse o secretário, e completou “Vamos converter a área em volta do espaço, em um centro de convivência da cidade e oferecer bens e serviços culturais”, afirmou.

Um escurinho no meio da rua

A sétima arte não tem espaço em uma cidade que vai completar 50 anos no dia 12 de Outubro. O Gama tem 200 mil habitantes e há quatro anos não possui uma única sala de cinema.

O primeiro cinema da cidade, o Cine Itapuã, foi fundado em 1963. É o segundo mais antigo de Brasília, mas, está interditado desde 2005, após ter sido utilizado para várias finalidades, menos para cinema.

Um dos centros comerciais mais importantes da cidade, o Gama Shopping, abrigava algumas salas para a exibição de filmes até o ano de 2008, quando os investidores não acharam mais interessante oferecer o serviço para a população local.

A atual solução para quem gosta de uma telinha é se locomover para o Plano piloto, Taguatinga, ou até mesmo para o Valparaíso de Góias. Efigênia Maria, 50, moradora do Gama e funcionária pública reclama da situação. “Cultura é sempre bom, cinema faz parte da cultura e infelizmente nós no gama precisamos nos descolorar para o Plano piloto ou para Taguatinga. Além do ingresso da entrada tem a despesa da passagem. Quem utiliza carro próprio tem o combustível”, afirma Efigênia.”Às vezes você até deixa de ir por conta dessa questão da locomoção”, conclu.

Tentando amenizar o sofrimento dos apaixonados por cinema o cineasta Tista Filintro junto com o Ponto de Cultura Ação Cultural do Gama criou o projeto cine Tenda. Uma tenda itinerante que percorrerá dez quadras da cidade nos finais de semana. Tistá Filintro explica o que motivou a criação do projeto, que está na segunda edição: “A necessidade de levar ao grande público, principalmente a classe carente os filmes brasileiros”, explica o cineasta.

A tenda é equipada com um pequeno projetor digital e o espaço tem capacidade para cem espectadores. Por dia são realizadas duas sessões de filmes. Por dia são realizadas duas projeções com filmes para crianças e para adultos, entre eles, filmes nacionais, alguns de diretores brasilienses. O cine tenda já passou por sete quadras do Gama: Quadra 19 do Setor Oeste, Quadra 23/33 do setor Oeste, Quadra 12 do Setor Central, Quadra 23/24 do setor leste, Quadra 12 do Setor Sul, Quadra 13/15 do setor sul e Quadra 01 do setor Norte. As sessões agradaram quem foi conferir o trabalho. “Todo mundo tem que fazer um pouquinho pela cultura. O Gama é uma cidade riquíssima em cultura, mas a gente às vezes não tem oportunidade. Isso que tá sendo feito deveria ser feito outras vezes. É muito importante”, elogiou Sandra Maria de Amorim, técnica de enfermagem

A ação do Cine Tenda chamou a atenção das pessoas que reuniram na rua para ver filmes em um cinema ao ar livre. Os irmãos Caio, 11, e Cauã, 6, nunca foram ao cinema, apesar de gostar de ver filmes só os conhecia por meio da televisão. E afirmaram gostar da sensação do escurinho do cine tenda. “Eu nunca fui no cinema, e gostei daqui”, diz Caio.